Dois aluninhos meus se juntaram hoje, na hora do parque, para construir um castelo com pecinhas coloridas de montar. Iam unindo uma à outra, empilhando tudo para formar uma grande torre, até que se desentenderam e, na disputa por um mesmo brinquedo, caíram em cima da construção e a destruíram antes que eu pudesse intervir na pequena briga. Olharam-se espantados e as lágrimas rolaram soltas em seus olhos. Por um momento fiquei na dúvida se socorria as peças espalhadas ou os meninos. Segurei-os pelas mãos e tentei diminuir o desespero deles.
Gustavo e Miguel, ambos com cinco anos, explicaram-me quem tinha começado a disputa: "Então, agora, pede desculpas", eu disse. Um pediu, o outro aceitou bem rápido; pararam de chorar poucos segundos depois da conciliação, mas continuaram tristes no canto do parque. Peguei um deles pelo bracinho e perguntei: "Vocês já não fizeram as pazes?". Ele balançou a cabeça em sinal positivo, mas, apontando para as peças jogadas no chão, confessou com a voz ainda rouca do choro: "A gente fez, né? Mas olha lá como é que ainda tá tudo quebrado". Sorri compadecida e prometi que mais tarde consertaríamos o brinquedo. Infelizmente, pedir e conceber perdão ainda não reconstrói as ruínas dos nossos castelos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário