Todos os significados encontrados por mim sobre a palavra orgulho, em sites de pesquisa, foram heteróclitos. Eu não sou incapaz de reconhecer que sofro sem você, não tenho uma auto-estima nas nuvens e também não me sinto plenamente satisfeita em ignorar as pessoas. Eu não sou nenhuma destas coisas que estavam escritas sobre a altivez humana. Pensei que sim, durante um tempo, mas talvez não seja. Não parei de te escrever aquelas cartas porque dar o braço a torcer seria como perdê-lo. Não me importaria de perder nenhum membro do corpo por sua causa. Soa exagerado, eu sei, mas não estava mentindo quando disse que você era uma parte importante de mim. Parei de te escrever porque não te sinto mais. Tem ideia do quanto dói não sentir você? É mesmo como perder um braço. Bem pior que deixá-lo torcer-se.
Quando nos conhecemos, juramos um ao outro que não seria assim, que distância nenhuma faria diferença, que os dias sem que nos víssemos passariam rápido e nos falaríamos sempre que possível. Sempre que possível tornou-se quase nunca, os dias têm muito mais de 24 horas desde então, a distância, antes física, ficou muito maior entre nossos corações. É por isso que eu não te escrevo, porque não há resposta. Nós estamos afundando, você vê, tem um bote nas mãos, mas não faz nada. Eu também não faço, confesso, mas é só porque me cansei de remar sozinha. Se fosse orgulho eu não estaria morrendo por dentro, existiria alguma satisfação em mim, eu teria uma auto-estima mínima, mas não, nada além de uma vontade exorbitante de deixar de existir. Lutar sozinha vai fazendo a gente perder as forças. Eu, sem você, sou apenas um rascunho de mim, quase sombra. Sem te sentir as coisas saem do lugar, perdem o sentido, não doem nem deixam sorrir, vegetam e, você bem sabe, eu odeio vegetais.
Esperava mais de quem sempre prometeu estar comigo. Esperava muito mais de quem, antes de amor, foi melhor amigo. Acreditei que ficaria ao meu lado quando o mundo resolvesse desabar. O mundo resolveu, desabou e nada de você por aqui. Tento, agora, renascer das cinzas sem o seu apoio. O apoio que passamos a vida prometendo um ao outro, que sempre achei que teria quando precisasse. Queria que você deixasse os seus amigos e ficasse horas ao telefone me ouvindo falar sobre essa droga de vida, sim. Eu deixaria, ficaria, abriria mão de tudo por você e não te ver fazendo o mesmo por mim é altamente destrutivo. Não adianta me dizer, ironicamente, que sua bola de cristal está quebrada, que não sabia de nada, porque eu disse, o tempo todo enviei sinais a você. E nada. Para alguém que me conhece e me ama tanto quanto diz - ou disse, que seja – nada foi decepcionante. Eu sinto a sua falta todo o santo dia, não vou mentir. Confesso que ainda penso na gente, mas me cansei de lutar por alguém que não faz questão nenhuma de estar ao meu lado. O meu erro foi ser plenamente sua enquanto você se entregava ao mundo. Aguardar o seu socorro, acreditar no seu amor, em vão.
Você precisa saber de um jeito ou de outro, ainda que não queira, que não te ter aqui destrói todas as minhas crenças, que só não te procurei porque perdi todas as forças e, diante das circunstâncias, de tudo o que vivemos, imaginei que viria me salvar. Você não veio. Tenho quase certeza de que não vem e esperar, neste caso, anda causando muito mais estragos que deixar tudo para trás e seguir sozinha. Você precisa saber que eu apostei todas as minhas fichas em nós, perdi e, agora, só me resta ir embora. Eu estou te deixando e não é por falta de amor. Pode ter faltado tudo, menos amor.

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