Li a chamada
de uma reportagem, esses dias, que dizia algo sobre quão saudável é dormir
sozinho. “Passar a noite acompanhado diminui a qualidade do sono”, gritava a
manchete virtual. Não pesquisei a fundo os argumentos do texto, apenas pensei
um pouco em você, no desconforto presente em meu colchão sem o seu corpo aconchegado
aqui, nos pesadelos que volta e meia me atormentam.
Sou péssimo
com datas, mas os fatos da primeira noite em que dormimos juntos (e apenas
dormimos) ainda me tomam os pensamentos quando me deparo com reportagens que
podem (ou eu acho que podem) explicar o nosso fim. Andei pesquisando algumas
receitas rápidas e fáceis, também, pra te fazer um jantar – ouvi dizer que é
uma das únicas formas de reconquistar uma mulher com a sua personalidade -, mas,
você sabe, eu sou péssimo cozinheiro; precisaria começar a preparar tudo um dia
antes e ainda assim não ficariam “lá essas coisas”. Cogitei a possibilidade de
comprar algumas flores e ir até a sua casa perguntar se não podemos tentar mais
uma vez. Talvez você não queira tentar, porém fique com pena de me ver
procurando um táxi e me diga pra dormir ali, naquela noite. Quem sabe, dormindo
novamente em meus braços, se apaixone outra vez e me peça pra voltar. Par
ficar. Pra não ir embora, que seja.
Eu devia
tentar, sabe? Odeio a facilidade com que desisto das pessoas; odeio não
conseguir chorar quando conversamos casualmente, porque eu queria chorar e
dizer que “conversar casualmente com você não é, nem de longe, o que eu esperava
de nós dois”. Mas, não sei, não consigo ser o cara que você queria que eu
fosse. Não consigo ser o cara que eu queria ser pra você. Na verdade, não
queria ser nada além “disso”, e também não quero que você seja diferente ou me
queira exatamente como sou. Acho que está bom do jeito que está. Ou estava. Eu
era feliz ao nos ver juntos mesmo que não fossemos o espelho de um casal
perfeito. Nunca nos planejei como Johnny Cash e June Carter. Não queria de nós
a história de amor eterno entre Rose e Jack em Titanic. É só que colegas de
abraços frouxos e risos falsos também não nos cai bem. Eu não queria terminar
as minhas noites pensando em jantares a luz de velas que posso oferecer como
desculpa pra te ter de volta; ou se vai ser ridículo ligar tarde da noite na
sua casa, porque algum parente meu faleceu e não estou com vontade de dormir
sozinho; ou se eu sou o maior babaca do mundo por gostar tanto de alguém e
nunca dizer. Queria me desfazer dessa saudade que é não conseguir dormir
direito por causa da televisão que você não me deixava desligar (com medo da
escuridão total); essa saudade de pajear o meu sono pra não adormecer
plenamente e mexer demais, fazendo você acordar, como sempre, assustada.
Eu não nos
quero como o casal protagonista do horário nobre, mas também não desejava
voltar a dormir feito uma pedra, todas as noites, sonhando com uma água
cristalina na qual a gente nunca mergulhou. Eu não quero ir a fundo, porque
tenho medo de afogar, você devia saber. Mas não permito que me peça pra sair de
vez da água e, acreditando na merda de pesquisa de mais cedo, durma tranquilo. Não
me peça pra sair de vez da água como se fosse possível secar, em segundos, os
respingos de você. Não me peça, por favor. Não me peça pra dormir sozinho e te
esquecer.

Nenhum comentário:
Postar um comentário