Estar longe de você é estar também sem uma parte importante de mim, é como se me faltasse um membro do corpo. É como se me faltasse um dente da frente – dissera, certa vez, Clarice Lispector. E não, eu não estou falando de nenhum amor antigo, estou me referindo a mais do que isso: amizade.
Amizade é mais do que amor, acredito eu, porque é junção dos dois. Amizade que pode ser chamada de amizade sem nenhum constrangimento ou pé atrás, claro. Amizade destas que a gente cultiva por quase oito anos; que luta, todos os dias, para manter viva diante de tantas dificuldades. Amizade que a gente morre de medo de perder, morre só de pensar que se pode perder. E às vezes nem se pode, mas a insegurança, menina levada que é, matuta no cérebro já meio cansado e o faz pensar que sim.
O faz pensar por pouco tempo, só até aquele teu amigo, teu melhor amigo, teu irmão-de-alma-e-coração ou, no meu caso, irmã, perceber que algo bem paranóico está passando pela sua cabeça e escrever aquele recadinho meigo no Facebook, Messenger, ou email, que seja; só até ele te lembrar que está ali, mesmo que pareça não estar.
Porque amizade é isso: estar ao lado de alguém ainda que não esteja. É cuidar sem esperar nada em troca, e se por acaso houver reciprocidade, ótimo, pois neste momento saberás que é eterno.
Eu tenho alguém em que posso confiar de olhos fechados, inteiramente fechados, e se você aí também tem, sabe bem do que estou falando. Nós, amigas verdadeiras que somos, sobrevivemos há coisas que até Deus duvida. Submergimos de brigas, fofocas, idas e voltas.
E não pense que somos iguais porque, minha nossa, ela é perfeccionista que só vendo e eu desorganizada que é melhor nem ver. Ela mega controlada, eu com um impulso que só Deus controla (e olhe lá!). Mas, sabe, a gente se completa, diferentes ou iguais sabemos que fomos feitas para caminhar juntas ainda que uma distância de quase 800 km resolva querer atrapalhar. Querer, eu disse, porque não se pode destruir o que sentimos, se pode querer destruir, mas chegar ao ponto de fazê-lo não, nunca.
Eu já não sou mais eu sem ela, e creio que ela também não é ela sem mim. Confuso, não é? Mas o que é que a gente precisa entender quando existe algo tão bonito assim pra sentir? Nada, respondo eu mesma, não é preciso entender nada.
Você é a minha metade, TL, é a melhor parte de mim e vai ser pra sempre. E ainda que este tal de ‘pra sempre’ insista em não querer existir, eu o invento, eu me reinvento, eu vou com o vento, ou fico, é só me pedir. Por você, com você.

Nenhum comentário:
Postar um comentário