segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Se for cômodo, que não seja

No começo, são feitos um pro outro, juras de amor-eterno pra lá e pra cá, é carinho que não acaba mais. Um não é nada sem o seu parceiro, os celulares vivem repletos de mensagens declarativas, os sites de relacionamento, então, gritam que eles são felizes e apaixonados, as fotos postadas brilham de tão perfeitamente tiradas e, mais tarde, escolhidas a dedo para estarem lá. Flores, chocolates, jantares à luz de vela – ou de lâmpada mesmo -, detalhes que não escapam aos olhos dos amantes.

O amor é lindo. É tudo muito lindo até que se passam anos assim – ou meses, apenas -, e essa lindeza toda se transforme em comodidade. Comodidade, segundo os dicionários da vida, é a qualidade do que é cômodo, vantajoso, agradável, confortável. E segundo os casais de plantão, ou já quase-não-casais, é a qualidade do que se torna viável fazer, tedioso, uniforme, cansativo, aquele tal de sempre-a-mesma-coisa.

E, pelo que eu saiba, amor não é sentimento cômodo, não. A quem previra guardá-lo na cômoda para, quem sabe um dia, entregá-lo a alguém que de fato mereça, mas de um jeito nada monótono, creio eu.

Amor é surpresa, é não esperar e receber, é não estar preparado e ver acontecer, é deixar livre sem soltar a mão. Amor que é amor não necessita coleira, não cansa, não se pode deixar que canse; tem que inovar, renovar, sei lá, vá viajar, deixe saudade. Existe coisa melhor do que sentir saudade? Sim, matar a saudade é bem melhor.

Parem de vez com essa mania de achar que se precisa encontrar o amor da vida inteira quando se tem só 15 anos. Ficar sozinho não mata, muito pelo contrário, é preciso antes ser uma ótima companhia a si mesmo para que se consiga acompanhar o outro. E depois, quando o amor resolver bater a sua porta – sim, porque sair por aí como um louco beijando todo mundo pra descobrir quem é que faz o seu estomago ter borboletinhas e seus ouvidos escutarem sinos que nem sequer têm na balada, não ajuda em nada-, atenda-o com calma, faça-o se sentir visita querida, faça ele ficar, surpreenda-o todos os dias e nunca, jamais o acomode.

Porque comodidade e amor são quase como vinho-tinto e vestido de seda branco, até se misturam, mas dá um trabalho do caramba pra remover o estrago.

Um comentário:

  1. Tô começando a achar que você não tem nada a ver com Turismo e, sim, com Jornalismo. Perfeito! ♥

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