É inconstante aquilo que se quer pra vida inteira. Eu, particularmente, nunca tive tanta dificuldade para escolher algo, como tenho agora. Decidir que faculdade fazer está sendo, sem sombra de dúvidas, a coisa mais complicada desde que sai de casa. Temos que pensar nos quatro, cinco, ou até mais anos gastos com isto, dinheiro, muito dinheiro e, claro, a sensação de que não se está no caminho certo.
Sem contar na lista de coisas que pretendia fazer antes de seguir sua carreira: a carta de motorista que ainda nem tirou, o carro ou a moto que se afastam cada vez mais da sua condição financeira. A viagem para a Espanha que anda tomando um rumo mais Peruano. O cabelo vermelho que tanto sonhava, mas que continua no mesmo tom pastel de antes. Tem até tatuagens que se deixa de fazer porque a sociedade é preconceituosa e ninguém quer um advogado com desenhos pelo corpo.
Influência familiar e os palpites daquela tia de segundo grau que só sabe falar mal de você também não ajudam em nada. É legal ter apoio numa hora como essas, mas confusão nós já temos de sobra, não precisa mais. Dizer que vamos passar fome fazendo Moda ou Publicidade e Propaganda não é o melhor jeito de nos incentivar a fazer Medicina. Pressionar não nos fará escolher o que é certo. Sim, eu tenho 18 anos e ainda não sei o que fazer da minha vida, e não me olhe diferente por isso, por favor.
Pensei em Letras porque gosto das palavras, mas meu fim seria ensinando e, não, não daria certo. Depois de um três meses dando aula mataria todos os alunos em uma chacina. Drama total, claro, jamais mataria alguém (eu acho), foi só pra demonstrar o quão constrangedor seria. Cogitei turismo, mas não pra ser turismóloga, pra ser turista mesmo. Viajar sempre foi minha paixão. Cheguei a listar Jornalismo, afinal eu adoro escrever. Mas como seria, então, escrever por obrigação?
Depois de pensar, cogitar, listar, rasgar a lista e quase ficar louca, eu me encontro sentada vendo lugares que quero conhecer. Valencia, Buenos Aires, Delhi, Wellington, New York; o mundo, se Deus permitir. E a faculdade, carreira, ou vida profissional, o que você preferir, eu resolvi não decidir agora. Não quero escolher por escolher, depois olhar pra trás e ver que fiz gastronomia, mas tenho o maior talento para engenharia elétrica. Não perderei anos da minha vida para não me orgulhar deles mais tarde.
Eu não me importo se o mercado de trabalho está cada vez mais exigente, se o carinha da loja de roupas quer alguém com curso superior. Eu não tenho medo de que seja tarde demais para estudar - afinal de contas, nunca é -, tenho medo é de que seja tarde demais para viver.

"Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos vinte e dois o que queriam fazer da vida. Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço ainda não sabem." Já dizia Pedro Bial.
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