São 20 horas, mas você sente que já é tarde da noite. 23 no seu relógio psicológico. A semana foi dura, você trabalhou e estudou sem folga. Soube por uma terceira pessoa que o seu querido viajou e só volta daqui a três dias. Ele não disse nada além de tchau. Tchau. Não gosto dessa palavra. Diga que nos vemos mais tarde, amanhã, quando der. Mande beijos e abraços. Sorria e fique em silêncio. Aceito qualquer sinal de que irá voltar. Menos tchau.
Aparentemente você está sozinho. Mas só aparentemente. Fecha a porta do quarto, depois abre, sai e entra de novo, esperando ser notado, esperando que alguém pergunte como foi o seu dia e se ofereça para esquentar a comida que se encontra sobre o fogão. Ninguém. Fuça no armário, encontra um chocolate - daqueles que custa uma fortuna só por causa do brinquedo de dentro - e come tudo sem nem perguntar se era seu. Afinal, quem é que se importa com o que é ou não meu?
O brinquedo parece divertido, mas já são 21 horas e você ainda não decidiu se toma um banho daqueles que quase te levam embora pelo ralo com a água e o sabão, ou se cria coragem e esquenta a comida. Nem um, nem outro. Pega o telefone e liga para família que não vê há tempos. Eles estão ótimos, e para não estragar a felicidade alheia você simplesmente se cala e segura as lágrimas angustiantes que resolvem se formar em seus olhos.
Cria coragem - não sei de onde -, esquenta algo e come. Toma banho, se veste e olha no espelho. Quanta coisa uma pessoa é capaz de ver quando se olha no espelho? Você está vendo milhares. Confusão, tristeza, loucura, saudade, paixão. Tudo isso, ali, refletido de você para você.
A sessão nostalgia acabou. Você esfrega os olhos para limpar qualquer vestígio de lágrima que nem se quer chegou a cair. Pega o brinquedo que veio no chocolate, sobe na cama com ele plantado nas mãos. O joga para cima, pula e ri descontroladamente, como se essa fosse a única alternativa capaz de manter no lugar a máscara de está-tudo-bem.
Você pula o mais alto que consegue, tentando aos poucos alcançar o forro não muito alto. Joga o brinquedo com força esperando que ele se quebre e acabe com toda essa fantasia de que é preciso rir quando se quer chorar. Pula, gargalha, bagunça o cabelo ainda molhado por causa do banho recente, joga o brinquedo com ainda mais força. Nada, ele ainda está intacto. A lucidez de precisar estar bem já está beirando a loucura e você sabe, mas continua. O brinquedo não quebra. Você, cansado, cai.
Não, não foi no chão, e não foi sem querer. Você caiu porque toda essa façanha de ter de parecer forte não faz sentido. Caiu por causa dessa sua fortaleza que anda beirando a insanidade. Você chora, desesperadamente, porque descobre que rir nem sempre é o melhor remédio. A cura da vez é o choro e o riso forçado só faz piorar.

Odeio sentir essas coisas. Odeio o ódio que eu sinto ao sentir essas coisas. ARGH!
ResponderExcluirFicou lindo o blog. :*