Você anda me fazendo um mal tão grande. Deveria ser proibido fazer mal a alguém, assim, como você anda fazendo comigo, mesmo sem saber. Mal desconhecido pra você, inimigo intimo pra mim. Deveria ser proibido, é só isso que sei.
Eu odeio ficar perto de você e perceber que os barulhos do mundo inteiro desapareçam e a única coisa que eu, agora, sou capaz de ouvir é a sua voz ecoando no silêncio de um lugar o qual, obrigado pelos meus pensamentos, se calou.
Odeio que todos os membros e órgãos do meu corpo se descontrolem com o calor do teu e comecem a tremer como se sentissem frio no deserto do Saara. Tenho aversão a mim mesma por pensar tanto e tantas vezes em alguém que ainda não diminui o meu nome de Daniele pra Dani, que faz careta quando me vê – como se eu fosse algum tipo de criança chata no banco de trás do carro -, alguém pra quem eu escrevo textos, que procuro numa balada qualquer, que eu imagino me beijando e conversando comigo sobre como a grama anda castigada pelo frio.
Você tem ideia da infinidade de diálogos para os quais andei treinando caso você viesse falar comigo? Eu ando falando sozinha na rua. Você tem idéia do quão maluco isso soa? Muito. Mas é a mais pura verdade. Eu fico formulando frases e perguntas que você nem me fez - e que talvez nem faça -, mas que eu gosto de acreditar que fará. Eu preciso estar preparada e parecer misteriosa o bastante para não deixar você ir. Então, gesticulo, falo, brigo sozinha, eu interpreto o meu e o seu papel neste teatro infantil criado pela minha fértil imaginação enquanto você não vem.
Eu te odeio tanto por me fazer parecer ainda mais maluca do que realmente sou. Minha insanidade já era bastante sem você aqui, sabia? Pra que mais? Você precisa parar com essa mania de me amar e me odiar em um mesmo dia, em um mesmo instante. Eu sei lidar com oscilações de humor, mas de sentimentos não, isso não, seria demais. Você precisa me dizer logo se sou mesmo tão intolerável ou se você, assim como eu, tem medo de amar.
Se você não me suporta, tudo bem, eu te odeio mesmo. Odeio cada centímetro excitante do teu corpo e cada batida rápida que o meu desatinado coração dá por sua causa. Odeio que as palavras erradas – e digo erradas porque não foram as do roteiro que eu meticulosamente escrevi nas entrelinhas do meu cérebro e sai dizendo, sozinha, pela rua - saiam da minha boca e eu pareça um tanto quanto rude quando estamos juntos. Odeio você e continuarei a odiar se me achas mesmo tão insuportável.
Mas, se por acaso, se por um acaso pequeno que seja, exista alguma chance de ser só medo, ou jeito, sei lá, de amar, me diz. Se houver uma chance em um milhão de você gostar de mim, me diz. E logo. Pode gritar pra todo mundo ouvir, ou falar baixinho só pra nós dois. Você escolhe. Eu não faço questão de como vai ser, só preciso saber.
Não saber anda me fazendo mal. Essa dúvida que me obriga a odiar - cada olhar descontraído teu, cada sorriso enigmático, cada palavra - anda me fazendo mal. E, sabe, isso deveria ser proibido. Deveria ser ilegal fazer alguém sofrer. Não saber, não dizer, tudo isso que mata a gente por dentro deveria ser contra a lei. É só isso que eu sei.

Esse tipo de texto é o mais lindo, mas também o mais perigoso e dolorido. Ao mesmo tempo que você desabafa a sua dor, você intensifica mais o desejo de que isso aconteça. Será que não tá na hora de você resolver isso de uma vez por todas? Se ele quiser, bem. Se não quiser, sofra logo de uma vez e parta para outra. Porque de uma coisa eu tenho certeza, esse tipo de gente não leva a lugar nenhum. ♥
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