sábado, 6 de setembro de 2014
Não hoje
Lembro de
quando a Barbára terminou com o namorado e também chorou, no coquetel da
engenharia. Ela chorava sempre que o via em alguma festa da faculdade. Soube
que ele também chorou, estarrecido, quando ouviu que a moça não queria mais
nada ao seu lado. E eu achava que eles formavam um casal tão bonito! Quase tão
bonito quanto o do filme que estreou essa semana e eu assisti ontem com uma
amiga. Bia chorou muito no filme, porque se lembrou do Gu e de como o
relacionamento deles findou antes mesmo de entrar nos trilhos e ter uma trilha
sonora tão bonita quanto essa que eu estou escutando desde às 10h da manhã. E
teve o choro da moça da poltrona a minha frente, que tinha um som de chuva e me
fez ficar pensando como é que eu voltaria pra casa de moto quando os créditos
começassem a passar.
Aqui em casa
todo mundo tem uma história triste de algum relacionamento cancelado pelo
tempo, pela distância, por uma terceira pessoa na jogada, por uma pedra chata
no sapato dos amantes, às vezes por nada existe uma história de amor revogada.
Na escola onde eu trabalho todo mundo já se divorciou pelo menos uma vez. O meu
professor de Literatura, que lê poemas românticos em sala, diz que o amor é uma
droga e mora numa biblioteca na casa dos pais. Não quer se casar, de jeito
nenhum, nunca mais.
Acho que
quando os meus pais se divorciaram, foi ele quem chorou sozinho no quarto. O
meu pai sempre foi o lado sensível do relacionamento. Eu tinha três anos quando
decidi ficar com ele e deixar a minha mãe. E as pessoas ainda me perguntam
porque eu tenho tanto medo de me apaixonar. Eu passei a vida inteira cercada
por relacionamentos que não deram certo e não quero que um dia o meu seja um
deles. É por isso que eu estou olhando o celular desde a hora que acordei
esperando você perguntar se eu quero ir para algum lugar ao invés de mandar uma
mensagem dizendo o quanto gostei do seu beijo e que gostaria de vê-lo outra vez.
É por isso que eu não liguei para o Pedro no mês passado. É por isso que eu não
procurei o Sandro e agora soube que ele vai se casar. Ele vai se casar pela
segunda vez desde que eu não liguei.
O namorado
da Cecí também não ligou, nem tocou a campainha e eu ainda ouço o choro dela no quarto. Queria
entrar lá e dizer que vai ficar tudo bem, que vai passar. Mas não estou
preparada para encarar tão de perto o amor. Os amores doem demais, doem nos
filmes e doem ainda mais na vida real. Nada do que eu disser vai mudar essa
dor. Não hoje.
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