Não começarei este texto com a frase clichê de que o ano se foi rápido demais e eu nem notei. Ah não, isso seria ilusão. Eu notei cada segundo deste 2011 passando. Cada conquista, cada fracasso. Cada nova pessoa que conheci e cada antiga que precisei esquecer. Os caras por quem me apaixonei e os que eu abominei com todas as forças. Os mínimos, mas não menos importantes detalhes de 360 dias (porque os outros cinco são contagem regressiva) lembrados um a um numa retrospectiva cheia de altos, baixos, uma independência sem tamanho – ainda que tenha sido mais simbólica do que sólida - e muita saudade.
2011 foi um grande ano. Eu acredito que foi. Tem coisas que conquistei aqui e que antes imaginava ser incapaz de conquistar. Os 18 anos que demoraram uns 30 para chegar. O emprego que por ser primeiro não poderia ser melhor. A quase autonomia de morar com a avó ao invés de com o pai. Os salários torrados em livros, roupas, sapatos e presentes, e ninguém para reclamar. A conta de telefone paga por mim – ainda que só por uma vez. A sensação de ser livre, de poder ir e vir dando satisfações porque gostava de dar e não porque era necessário. Eu me permiti sonhar depois de tanto tempo enfiada numa areia movediça que me arrastava pra longe do que sempre almejei. Pude ser o que eu sou e descobrir quem não quero ser.
E, agora, ao contrário da maioria das pessoas, eu não preciso mais recomeçar. Eu não quero. Recomecei uma vez e é só essa a nossa necessidade. Se desfaçam de listas, ondas, sementes de romã, roupas brancas e douradas. A única coisa de que realmente precisamos é coragem para seguir os planos que de tão bem organizados em papel acabaram ficando presos na memória. É preciso arriscar e acreditar que vai dar certo. Nós fazemos o ano bom ou ruim. É uma escolha. Eu escolhi recomeçar em 2011. Escolhi, e não escrevi. Não esperei a vida me mostrar que estava certa ou errada, não contei com a sorte e muito menos com superstições. Decidi que seria, assim, feliz. E foi. Acreditar funciona mais do que todas as mandingas nas quais ficamos presos.
Junte todas as forças que ainda lhe restam - depois de tantos recomeços mal feitos e frustrantes - e faça de 2012 um grande ano. Eu farei, sem recomeçar. Pela primeira vez vou continuar. Finalizar algumas coisas que ficaram pendentes, por em prática todos os sonhos que ficaram um pouco perdidos, viajar, me mudar, de novo, quem sabe. Vou proceder, conquistar, continuar tirando aprendizado daquilo que não dá certo. Carregarei um pouco de 2011 para 2012 e farei dele um ano ainda maior que o anterior. Vou continuar do jeito certo depois de tanto tempo recomeçando do errado. Usar reticência depois de anos pondo pontos finais.

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