Eles são malvados, trapaceiros, mentirosos, manipuladores e, na maioria das vezes, também são inteligentes e elegantes. Você encontra exceções em filmes infantis e comédias, claro; mas nos clássicos e séries dramáticas eles são exatamente assim. Podem perder a guerra, mas vencem um bocado de batalhas. São prepotentes, confiantes e solitários. Loucos de pedra esculpida e tudo mais. Não medem esforços para conseguir o que querem.
Confesso: sou fascinada por vilões. Adoro sorvete, chá gelado, temperaturas baixas. Vingança, dizem por aí, é um prato que se come frio. Eu te amo, mas não vou te poupar, sinto muito. Você prometeu que me levaria para ver aquele filme e não levou. Você não me levou e eu não questionei a causa, mas sei exatamente qual foi. As conseqüências? Serão sofridas, óbvio. Já estão sendo, se é que você me entende. Nada muito sério, eu diria. Apenas indiferença.
Você é magro demais, amado demais, e eu odeio pessoas assim. Nós te odiamos. Os vilões odeiam tudo aquilo que soa falso. Gente que distribui amor como se vivesse, constantemente, em um comercial de margarina, que sorri e usa maquiagem como se o ser humano precisasse ser imutável, que fala alto demais fingindo simpatia e não faz sexo fora da cama, soa falso. Você é assim, a maioria das pessoas é. Por isso, então, a solidão de outrora nos tomou e se tornou amiga intima. Mas, de certa forma, antes ela do que você.
O bem sempre vence o mal, eu sei. É em felizes para sempre que terminam os contos de fadas os quais ouço desde pequena. A minha maldade é apenas válvula de escape num mundo dominado pela mentira de gente que se diz boazinha e apunhala pelas costas. Meu lado perverso é protesto contra estes sorrisos que distribuem ao mesmo tempo em que desejam o mal. Minha malignidade vem do cansaço que sinto dessa simpatia aleivosa partilhada por vocês. Prefiro a sinceridade de me jogar na cara o que não suportas em mim, do que fingir que somos amigos. Isso sim é maldade.
Tenho um pezinho no lado negro e não escondo de ninguém. Não depois deste texto, pelo menos. Mas, mil vezes melhor ter um pé na maldade e usufruir deste mal, do que fingir o bem e decepcionar. Quem me conhece, conhece de imediato o meu lado ruim e sabe exatamente o que esperar de mim. Mas e você? Você que se faz de benévolo pra conquistar, mas quebra em pedaços irreparáveis a confiança de alguém com uma fofoca? Bem pior, eu diria. É fácil controlar a enfermidade quando se tem o remédio certo. É assim com a maldade: se você sabe que ela existe em mim, saberás também como evitá-la.
Portanto, preocupe-se mais com quem está ao seu lado sorrindo o tempo inteiro e se fazendo de príncipe encantado, ou princesa em apuros, que seja. Isso sim é perigoso. É doença não diagnosticada e, consequentemente, não tem como impedir. Impossível lutar contra um inimigo que você nem sabe que existe. Inimigo Oculto.
Por isso, então, me mostro, mostro-me vilã por pior que isso seja, pois só merece o meu melhor quem o meu pior aceita.
Nenhum comentário:
Postar um comentário