Quando o assunto em questão era amor sempre tive muita certeza do não. Eu não os amava e ponto final. Não amei aquele garoto da sétima série, que me entregou uma carta escrita a mão e carregou os meus livros, durante todo o ano, da escola até em casa e disse, mais tarde, com todas as letras e sem gaguejar, mesmo sem saber ao certo o significado, aquelas três palavrinhas quase mágicas que derretem o coração de qualquer mulher do universo. Eu não amei aquele outro menino, que apareceu um ano depois, cheio de brincos e com o cabelo roxo, cujo qual o meu pai detestava, tentando me ensinar a andar de patins e dizendo, após três dias de namoro, um “eu te amo” com lágrimas nos olhos. Eu sei, é difícil imaginar um cara de cabelo colorido e com peças de metal por todo o corpo falando de amor com os olhos úmidos, mas foi exatamente assim que aconteceu. Acho que ele conseguiu me amar rápido e então eu surtei. Fugi do coitado e nem sequer dei uma explicação. Eu não o amava e não tinha muito que dizer, também.
Todos os outros rapazes que surgiram posteriormente foram calados pelas minhas mãos pequenas quando tentavam contar sobre os seus sentimentos mais profundos. Eu não queria ouvi-los porque não retribuir magoava-os e, de certo modo, me magoava também. Cheguei a pensar que tinha alguns problemas. “Psicopatas são desprovidos de sentimentos, então, talvez, eu seja um deles”, pensava eu, nas noites mais paranóicas. No dia seguinte caia na real, claro. Eu amava os meus familiares, amigos e me amava. Os psicopatas não amam ninguém, não é mesmo? Então, pronto, não sou um deles, não.
Depois daquele garoto de óculos e meio metido a músico, definitivamente, não sou um deles. Quando nos vimos pela primeira vez, eu não o amava. Quando nos beijamos gostava um pouco dele, mas ainda não era amor. Então me mudei, voltei, não o procurei. Pensava sempre em nós, no que teria nos acontecido se eu não fosse quase uma cigana. Fui embora mais uma vez e outra e outra. Não era amor, mas estava aqui, em mim e nele também. Nos sinais que deixamos. Nos pequenos bilhetes. Adormecido, esperando um reencontro. E aconteceu, por acaso, do nada, reacendendo em mim o gostar pouquinho e fazendo a chama, antes de vela, se transformar numa labareda inapagável. Estávamos mais maduros, dispostos, lembrando das minhas idas e vindas, tentando entender porque eu me afastei tanto. E mesmo sem entender, não nos deixamos. Estava ali, em nós, o que eu pensei não ser amor, mas nunca apaguei da história. Foi então que ele disse que me amava. Calei-me. Não o calei, mas também não fugi. Fiquei intacta, feito pedra, nem um pouco preciosa, creio eu. Diferente de todas as outras vezes, também, nesta não me senti triste por estar magoando-o. A possibilidade de que fosse recíproco era tão grande, entendem? Tão grande que não cabe em mim e transborda.
Depois de ouvir os dizeres dele, fui atrás de descobrir o que, afinal, é o amor, porque, até então, a minha única certeza era a do não. Não é amor e ponto final. Se for, já não sei. Passei dias perguntado às minhas amigas, todas disseram que é complicado demais explicar e não explicaram. Falei com a minha avó e, sempre pronta a ajudar e sem nenhum frio na língua, ela me disse que se o que eu estava sentindo não era amor, nada no mundo seria. “Você tem certeza do que não é, então, se sabe que não é, é. Não é?”. Minha avó dá ótimos conselhos quando se consegue decifrá-los. Pensei, repensei. Lembrei-me de nós dois, do tempo, de não te esquecer, do reencontro, quase mágico. Ele me faz tão bem, tão bem. Não tenho medo de nada que não seja o nosso fim. “E que não chegue o nosso fim, nunca”, peço eu, a Deus, como raramente faço. Depois paro e penso mais uma vez, com a ajuda de uma música maravilhosa, de uma banda histórica e bem conhecida: “Se isso não é amor, o que mais pode ser?”

Olha, o que me fez querer ler o teu blog foi o perfil. Adorei o "escrever ao invés de gritar com as pessoas". Li isso ontem. E favoritei seu blog porque comecei a ler Martelo e queria terminar, mas a minha consciência me lembrou que eu tinha entrado na internet pra fazer um trabalho da faculdade. Pois bem, deixei o link lá, favoritado. Hoje, foi a primeira coisa que eu fiz assim que o Chrome carregou: vim no teu blog e me deparei com um post novo. E lindo! Menina, é sério: você realmente sabe moldar as palavras. Eu não sei se essa história é auto biográfica, mas torço pra que seja, porque é de uma beleza sem tamanho. E olha, acho que daria um ótimo curta. Parabéns, muito linda tua história. Beijos, bom fim de semana.
ResponderExcluirFico muito feliz em ler estas tuas palavras, Luiza. Receber um elogio como esse de alguém que não me conhece e, portanto, não o está fazendo para me agradar é a melhor coisa do mundo. Obrigada, mesmo *-*
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